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Era uma vez uma faixa roxa…

19 Jun

Com um pouco de atraso para publicar, mas ->  No mês passado estive incrivelmente monotemática… sim, só estava pensando no meu exame de faixa do kungfu. E eu vim aqui no blog manifestar todo o meu amor pela minha faixa roxa. Sim, eu vou falar da minha faixa roxa, porque mais do comemorar a conquista da faixa vermelha, acho que o que importa nesse momento é ter concluído essa fase tão incrível na minha vida de kungfu. Minha história na faixa roxa acho que começa lá atrás, quando uma faixa laranja teve sua primeira grande derrota no kungfu, ao treinar muito para seu primeiro campeonato e ter um desempenho baixinho baixinho – nem consegui fazer as formas inteiras, tamanho era o nervosismo.

12.06.2010 Brazil International Kung Fu Championship Tournament – TSKF

A decepção foi grande pois a expectativa era grande, na época, quem participava de campeonato e tinha concluído a matéria recebia a próxima graduação e assim veio minha faixa verde. Eu queria merecê-la, queria ser digna de tê-la mesmo tendo ido mal no campeonato. Treinei muito depois de terminar a matéria da verde e fiz um exame segura e preparada – o fantasma da derrota do campeonato se desfez no dia que recebi, por mérito, minha faixa azul. Minha faixa azul também foi muito especial. Acho que foi quando, de tanto meus instrutores falarem, comecei a entender que tinha que socar e não só jogar o braço pra frente, passei a fazer as coisas mais forte, me apaixonei pelo Bruce Lee e comecei a assistir filmes, ler livros e blogs de kungfu com mais frequência. Foi quando fiz pela primeira vez uma demonstração na academia para alunos que vem conhecer e fazer aula introdutória. É, na hora senti vontade de matar o Danillo, mas ele ter me colocado pra fazer o bastão naquele momento foi certamente um divisor de águas para mim. A faixa azul e o exame me trouxeram minha querida faixa roxa.

Desde que entramos na academia ouvimos que certas coisas são admitíveis até à FAIXA ROXA. Que na faixa roxa começa-se realmente à aprender Kungfu, pois não basta mais repetir movimentos é preciso carregar o conceito do kungfu. Não que eu tenha dominado tudo isso, mas realmente foi uma fase muito diferente que começou um mês antes do meu segundo campeonato, quando fiz o exame.

Com o Shifu Gabriel no exame da Faixa Roxa

Foi na faixa roxa, com todo o conhecimento e equilíbrio emocional adquiridos em cada uma das faixas anteriores, que participei do meu segundo campeonato e trouxe 4 medalhas para casa. As medalhas não são de ouro, não fiquei em primeiro lugar, mas eu fui vencedora – superei meu trauma de campeonato, superei meu nervosismo e fiz todas as formas inteiras e sim – tive um ótimo desempenho! Fiquei muito feliz comigo e me senti vitoriosa. 😀

Brazil International Kung Fu Championship Tournament – TSKF – 2011

Sempre admirei o Pam Po Kiu – uma forma da faixa roxa – e ficava imaginando o dia que eu conseguisse fazer aqueles movimento e de fato, imitar o louva a deus. O pam po kiu (passos de Pam) é a primeira forma de louva a deus que aprendemos no currículo da TSKF.

Curti muito minha faixa roxa, cada minuto dos 11 meses que estive com ela. Parece muito tempo para algumas pessoas, mas além de não ter pressa para mudar de faixa, eu esperei tanto para chegar na roxa que sempre quis entender cada movimento e fazer tudo bem feito. Sempre tive orgulho da minha faixa, como de todas as outras e aproveitei muito bem, sem pressa nenhuma de deixá-la.

Chegado o momento, me preparei para o exame, pela primeira vez com uma parceira – a Giselle! Treinamos juntas e sonhamos juntas com um exame bem feito. [Obrigada Gi, pelos treinos extras, pelas um milhão de aplicações que fizemos juntas! *_*]

Bônus – já fui chamada de Faixa Açaí!

O dia do exame foi especial e diferente do que eu esperava. Eu me preparei bastante.  Consegui controlar meu corpo e sabia o que estava fazendo na hora do exame, coisa que nunca tinha acontecido antes. O nervosismo tava lá, eu fiquei com falta de ar, o Sandro (instrutor) me ajudou e eu consegui terminar tudo. Não foi perfeito, mas consegui fazer o que eu sabia, e por isso me senti satisfeita.

Depois foi a tensão de esperar resultado… agora mudou, você fica sabendo se mudou de faixa pela internet, e pega a faixa nova na academia no outro dia. No fim deu tudo certo. Consegui concluir esse ciclo e guardar com todo carinho do mundo a fase da faixa roxa. Agora são novos desafios, da minha tão linda quanto – Faixa Vermelha! 😀

Ela é lindona, não é?

Se és capaz

9 Abr

De acordo com sua descendente – Shannon Lee –  um dos poemas favoritos de Bruce Lee era “IF” de Rudyard Kipling

Gostei, e vou compartilhar.

Se
Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar –sem que a isso só te atires,
De sonhar –sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais –tu serás um homem, ó meu filho!

Versão de Guilherme de Almeida (Folha)

ORIGINAL ~

If

If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you,
If you can trust yourself when all men doubt you
But make allowance for their doubting too,
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don’t deal in lies,
Or being hated, don’t give way to hating,
And yet don’t look too good, nor talk too wise;

If you can dream–and not make dreams your master,
If you can think–and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two impostors just the same;
If you can bear to hear the truth you’ve spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build ‘em up with worn-out tools;

If you can make one heap of all your winnings
And risk it all on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breath a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: “Hold on!”

If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings –nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you;
If all men count with you, but none too much,
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds’ worth of distance run,
Yours is the Earth and everything that’s in it,
And –which is more– you’ll be a Man, my son!

A própria Shannon declamando:

 

Fonte:

BruceLee.com

Folha Online

Sobre mestres II : Ao mestre, com carinho.

13 Mar

Ter mestres na vida é para poucos, ser um mestre é para mais poucos ainda.

Hoje vou falar de um grande mestre que tive a felicidade de ter em minha vida.

O engraçado foi que conheci o @, antes de conhecer a pessoa. O perfil @tskf retuitou um tweet meu, quando eu ainda era faixa branca.

Eu não fazia ideia quem estava por trás, fiquei super orgulhosa “poxa, o @tskf tinha retuitado”.

Depois disso fiz exame, passei pra faixa amarela, era uma fase totalmente nova, eu estava confiante. Algumas coisas mudaram: O Sifu Gabriel voltou para a matriz, o Antônio voltou pra Casa Verde… E o Danillo Concenzo ~ vulgo @tskf  ~ veio pra filial da Vila Madalena e também para a minha vida.

A faixa branca foi a mais sofrida pra mim, quando passei pra amarela, eu estava menos tensa, peguei gosto por graduar-me e tinha pressa em terminar a matéria e fazer  o próximo exame. Eu queria aprender as coisas, rápido. E então, veio o Danillo, com uma grande primeira lição no kungfu.

Kungfu é muito mais que exame, que graduação, que aprender matéria nova.

Danillo ficou a aula toda corrigindo meus básicos da faixa amarela, que eu achava que sabia, e eu não aprendi matéria nova nenhuma aquele dia, mas aprendi muito kungfu.

Outro dia ele colocou um capacete na cabeça e me fez mirar o soco na cabeça dele a aula toda, e teve revanche, claro! Cada golpe, mesmo que não acerte, é pra ser tratado como um golpe de verdade, e deve ser mirado no lugar certo… Isso pode ser óbvio, mas para uma menina como eu que nunca brigou de verdade, e que tinha sérios problemas para se imaginar numa luta, não era – e nem é – tão óbvio assim. Foi assim também com o Lie tien kuan, era preciso colocar verdade nos movimentos.

Claro que até hoje ele corrige minhas aplicações, o lugar para onde estou mirando o soco etc.. Mas acho que já melhorei muito, principalmente porque tenho uma outra visão do kungfu.

O Danillo esteve presente na minha primeira grande decepção dentro kungfu : meu primeiro campeonato. Muitas pessoas me animaram e todos tinham histórias do primeiro campeonato pra contar.

Quando eu achei que não merecia a faixa verde porque fui graduada pela participação no campeonato, o Danillo olhou no meu olho e falou palavras bonitas como todo mundo, mas as palavras não foram o que marcaram, foi o fato de eu ver e sentir que ele acreditava em mim, muito mais do que eu mesma. E, se alguém que eu admirava tanto acreditava em mim, era hora de eu começar a acreditar também!

O Danillo sempre teve um dom estranho para saber quando eu tinha algum problema fora da academia, certa vez ele disse uma coisa que eu vou lembrar sempre:

“Não tem como ser forte em uma coisa e ser fraca em outra. Você é forte dentro da sala de treino, você é forte em todas as outras coisas”.

Não posso falar muito da história do Danillo no Kungfu, porque eu estou apenas há dois anos na TSKF, a história que posso contar é como ele influenciou positivamente a minha vivência e desenvolvimento nessa arte marcial.

Mais que a técnica que ele me passou nesse tempo e a paciência que sempre teve, o grande legado foi o de acreditar.

Eu não sou talentosa, não sou forte, nem ágil e nem flexível, mas o Danillo me ensinou que não é por isso que eu não posso ser uma boa artista marcial. Que tais coisas se compensa com o treino e tempo. As coisas necessárias são outras, aprendi a acreditar em mim e na minha capacidade.

Agora o Danillo vai partir, vai continuar fazendo a história da TSKF e também do Kungfu no Brasil, mas em Minas Gerais. Vamos todos sentir muita falta, mas a Vila Madalena foi apenas mais um capítulo de uma história bem maior. Um capítulo bonito, feliz e muito bem feito, que mudou a vida de muita gente.

Obrigada por tudo, Danillo Cocenzo!

Bruce Lee II – sobre determinação e limites

22 Mar

Desde meu primeiro post sobre o mestre Bruce Lee, tenho estudado sobre ele.

Criei um tumblr, o Bruce Lee Facts, que cresceu muito… posto e reblogo mais em inglês por lá, são fotos, vídeos e pequenas doses da filosofia do Bruce…a internet reserva recordações preciosas sobre o mito. Criei um twitter também, que posta automaticamente as coisas do Tumblr, o @BruceleeBr .

Acho ele extremamente mais lindo (fisicamente mesmo) que antes, é engraçado, quando você começa a admirar uma coisa, ela se agiganta aos seus olhos…

O que me chama a atenção tanto na filosofia oriental como na do próprio Bruce, é a maneira simples e ao mesmo tempo muito sábia de ver a vida.

Como ele diz, quando você precisa fazer alguma coisa, não perca tempo pensando sobre isso, apenas faça! Tem a célebre resposta dele à algum jornalista sobre certa dificuldade que ele enfrentaria “Ao diabo as circunstâncias, eu crio as oportunidades!”.

Outra coisa era a determinação, não havia limites para Bruce Lee!

Semana passada foi divulgado um manuscrito do Bruce Lee, uma carta dele (talvez para ele mesmo num futuro). Quando escreveu ele tinha 28 anos, e estrelava a série de TV inspirada no  The Green Hornet (BesouroVerde) com o personagem Kato – um remake de 2011 está em cartaz, eu fui ver…gostei dos efeitos especiais, mas em questão de arte marcial mesmo, fica devendo muito.

A carta do Bruce Lee é esta

Transcrição da carta em inglês:

My Definite Chief Aim

I, Bruce Lee, will be the first highest paid Oriental super star in the United States. In return I will give the most exciting performances and render the best of quality in the capacity of an actor. Starting 1970 I will achieve world fame and from then onward till the end of 1980 I will have in my possession $10,000,000. I will live the way I please and achieve inner harmony and happiness.”

Bruce Lee
1969

Tradução

Minha meta principal

Eu, Bruce Lee, serei o super star oriental mais bem pago do Estados Unidos. Em troca, eu farei as mais emocionantes perfomances, sendo um ator da mais alta qualidade. À partir do ano de 1970 vou alcançar fama mundial a partir de então em diante até o final de 1980 eu vou ter na minha posse US $ 10.000.000. Eu vou viver do jeito que eu quiser e conseguir a harmonia interior e alegria.”

Bruce Lee

1969

Kato - Green Hornet (Lanterna Verde)

Kato - Green Hornet (Besouro Verde)

 

Outra coisa que me chamou a atenção foi o relato de um amigo dele sobre o que Bruce Lee pensava sobre os limites. O amigo conta que ele e Bruce costumavam correr 3 milhas todos os dias, um dia já estavam correndo por volta 5 milhas, e ele disse ‘Bruce, estou muito cansado, se eu correr mais posso ter um ataque cardíaco e morrer. E Bruce respondeu “Então morra.” Isso o deixou nervoso que acabou completando as 5 milhas. Depois, ao perguntar para Bruce porque ele tinha feito isso ele respondeu:

“Você poderia estar morto.

Sério,  se você sempre coloca limites no que é capaz de fazer, física ou qualquer outra coisa, ela vai se espalhar para o resto de sua vida.

Ela vai se espalhar para o seu trabalho, em sua moral, em todo o seu ser.

Não há limites.

Existem apenas planaltos, e você não deve ficar lá, deve ir além dele.

Se ele mata você, mate-o antes.

Um homem deve sempre exceder seu nível.”

Por hoje é isso que compartilho com vocês.

Fica de novo o convite para o tumblr!

The Tai Chi Master

31 Jan

Em português “Batalha de Honra“, estreado por Jet Li e Michelle Yeoh, o título em inglês aparece também como “Twin Warriors“, direção de Yuen Woo.

Fazia um tempinho que estava querendo assistir esse filme.

Ele é antigo (1993), mas como disse antes, só comecei a me interessar pelo gênero depois que comecei a fazer kungfu (em 2009).

Não consegui achar uma versão legendada,  e acabei assistindo online a versão dublada mesmo.

A história é sobre dois amigos de infância que crescem no templo shaolim, depois de crescidos são expulsos de lá e seguem caminhos opostos.

O personagem de Chin Siu Ho, Tienbo, é cruel desde o primeiro olhar ainda criança,  quando entra no templo e conhece Junbao (Jet li). Mas os dois crescem juntos, como irmãos e aprendem kungfu ao observar os outros monges e treinando um com o outro.

Não vou contar muita coisa da história, mas à certa altura do filme Junbao (Jet Li) tem as mãos os ensinamentos que o mestre havia dado antes que saissem do templo, sobre o Tai Chi Chuan e faz deste seu estilo de luta.

As cenas são lindíssimas e o enredo é bom, ainda que bastante maniqueísta, prende a atenção.

Deu até vontade de voltar a fazer as aulas de Tai Chi que a TSKF também oferece, voltarei quando puder. ^-^

Anotei algumas coisas bonitas, mas não encontrei citações na internet, então pode ser que não estejam totalmente certas…

“Livre-se do peso

Não use a força, use a força de quem o ataca.

Deixe a natureza agir, ser suave e ao mesmo tempo intenso.”


 

Segue o trailer


Fica registrado…um ótimo filme pra quem gosta de filme de artes marciais 😉

————————————–Ps————————————————————-

Vi que estão vendendo na Americanas o dvd.

Pra quem está lendo este post hoje, 31 Jan, segunda-feira, vai passar Reino Proibidio hoje na Globo, bom pra ver e rever #fikdik

Arte da guerra na sua vida

28 Dez

Particularmente eu gosto de ler coisas orientais porque, como já disse antes, é uma coisa que abre a cabeça. Tem muita coisa interessante na nossa filosofia, mas a oriental traz conceitos tão diferentes quanto ricos, eu busco sempre tentar encontrar minhas próprias respostas, e por isso, nada melhor que ver a vida sob outros pontos de vista.

Arte da Guerra” é aquele tipo de livro que a gente sabe que vai ter que ler um dia, no meu caso, esse dia chegou quando resolvi comprar pela primeira vez um daqueles livros das máquinas de livros do metrô, a edição não é tão ruim (mesmo eu nunca me satisfazendo com essas traduções).

É um tratado militar escrito no século IV a.c. por Sun Tzu, e sim, ele só fala de guerra e estratégias bélicas, e não há nenhuma nota de editor dizendo “olha como isso tem a ver com o seu dia a dia”, e mesmo assim é possível se fazer muitos paralelos. Eu vou colocar muitas frases aqui, mas não substitui a leitura, pois não é só o que está sendo dito mas todo o contexto e porquês, que nem se eu quisesse eu conseguiria colocar aqui.

Praticamente ele vai descrevendo quais são os caminhos do fracasso e sucesso numa guerra, simples, direto, sem complicações, e vai contando algumas histórias para ilustrar. (todos grifos meus)

“Vencer cem vezes em cem batalas não é o auge da habilidade, mas, sim, subjulgar o inimigo sem precisar lutar.”

Vamos lá…coisa bonita pra se ler e reflertir

“Faça com que soa força seja percebida pelo inimigo como fraqueza, e sua fraqueza como força. Ao mesmo tempo, aja de maneira tal que a força dele se torne fraqueza; assim, descubra onde ele não é realmente tão forte… Esconda suas pegadas de forma que o adversário ou ninguém possa discerni-las; mantenha o silêncio para que o hostil ou ninguém possa ouvi-lo”.

E agora uma bem ao estilo “Be Water, my friend” do Bruce Lee:

“Pode ser chamado de divino quem é capaz de vencer por modificar suas táticas de acordo com a situação inimiga pois, dos cinco elementos, nenhum é sempre predominante; das quatro estações, nenhuma dura para sempre; dos dias, uns são longos e outros curtos, e a lua cresce e míngua.”


Que tal essa pra explicar pro seu chefe, que sem trabalho em equipe vai sempre se estar atrás da concorrência. (por mais recursos e dinheiro que se tenha).

“Sendo o exército confuso e suspeito, os regentes vizinhos serão um permanente problema. Um exército confuso leva o outro à vitória.”

ou

“Um general hábil busca vitória pela situação e não a exige de seus subordinados, sabe selecionar os homens certos e estes exploram a situação.

Essas praqueles momentos que você se sente pressionado a agir sem saber se deve, praqueles que não sabem distinguir covardia de bom senso:

“Será vitorioso aquele que sabe quando pode lutar e quando não pode.”

“Será vitorioso quem sabe quando usar tanto as grandes quanto as pequenas forças.”

“Os habilidosos na guerra podem tornar-se invencíveis, mas não podem causar a vunerabilidade inimiga”

“A invencibilidade reside na defesa; a possibilidade de vitório, no ataque”

Pra um eventual bibliotecário que esteja lendo isso

“Geralmente, não há diferença entre administrar muitos e administrar poucos. Trata-se de uma questão de organização”

E para um eventual arquiteto de informação

“O que é difícil, na arte das manobras, é fazer com que o desvio seja o mais direto possível, transformando o infortúnio em vantagem”.

tem essa também

“Não podem conduzir a marcha de um exército aqueles que não conhecem as condições de montanhas e florestas, desfiladeiros, pântanos e terrenos perigosos. E os que não usam guias locais são incapazes de obter as vantagens do terreno.”

E pra quem se sente com pouca inspiração….aqui uma lição de criatividade:

“São apenas cinco as notas musicais; contudo as melodias que estas produzem são tão numerosas que é impossível ouvir a todas.

São apenas cinco as cores primárias, entretando, as combinações que produzem são tão numerosas que é impossível visualizar a todas.

São apenas cinco os sabores, mas suas misturas são tantas que é impossível provar a todas.

Na batalha, temos situação idêntica:temos somente forças normais e extraordinárias, mas suas combinações não têm limites, ninguém pode compreender a todas.”

É, o livro é uma lição, do tipo… apenas faça, tem tudo que precisa das mãos

“Na batalha, valha-se de uma força normal para o combate e utilize a extraordinária para vencer”.

“Aparente  confusão é produto da boa ordem; aparente covardia, de coragem; aparente fraqueza, de força. Ordem ou desordem dependem de organização; coragem ou covardia, das circunstâncias; força e fraqueza, das disposições.”

E mais filosoficamente

“Há certas estradas que não se deve seguir.”

Sobre auto conhecimento

“…aquele que conhece o inimigo e a si mesmo, lutará cem batalhas sem perigo de derrota; para aquele que não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, as chances para a vitória ou para a derrota serão iguais; aquele que não conhece nem o inimigo e nem a si próprio, será derrotado em todas as batalhas…”


E pra terminar, segundo Sun Tzu, para se atrair a derrota, há seis condições básicas (né)

“- Desdenhar o cálculo da força inimiga

– Ausência de autoridade

– Treinamento ineficaz

– Cólera injustificável

– Desrespeito à disciplina”

Pra quem curte a parte sangrenta da coisa, não é por acaso que Jet Li está  ajudando a ilustrar o post, deixo o trailer do filme “Senhores da Guera” (“The Warlords“) que é o ambiente que imagino que tenha sido o que o Sun Tzu escreveu seu tratado, e um ótimo filme para quem gosta de filmes do tipo.

Sobre armas I

1 Out

o-reino-proibido

Certa vez um professor da faculdade disse que o conhecimento consistia mais em fazer ligações entre as coisas do que propriamente se aprofundar num assunto específico…outros professores diziam a mesma coisa, com palavras diferentes.

O fato é que depois disso, nos trabalhos acadêmicos, eu tentava buscar relação entre o conceito que eu lia e alguma outra vivência minha, outra coisa que havia lido, assistido, escutado…eles costumavam chamar isso de intertextualidade. No fim das contas, acabei adquirindo esse hábito…é natural quando aprendemos uma coisa nova buscarmos relação naquele conhecimento que já temos. É óbvio…mas o pensamento óbvio não deve ser ignorado, só é óbvio aquilo que tem lógica perfeita.

Nelson Rodrigues disse “Só os profetas enxergam o óbvio”. Nesses tempos li algum texto, onde o autor (acredito que Bruce, mesmo), dizia que quando ele falava de uma ideia nova pra alguém e diziam “Claro! Isso é óbvio, não sei como não pensei nisso antes.”, ele ficava feliz, pois era sinal de que sua ideia era perfeitamente inteligível por outra pessoa.

Enfim, sem mais demoras nesse assunto, já que o tópico é outro…Vi um vídeo hoje na TV de um ciclista fazendo manobras incríveis…

Quando eu vi…pensei… Essa bicicleta parece parte do corpo do cara…

Esse mês completo um ano de kungfu, estou na transição de uma faixa pra outra, mas o mais importante nesse tempo não são as faixas que acumulei, e sim que o cresceu e evoluiu dentro de mim.

Uma coisa que brilhou meus olhos no meu primeiro dia de Kungfu foi o Antonio dizendo ” O kungfu é arte marcial que tem mais armas”, e eu ficava cada vez mais encantada com cada demonstração que via de armas. Ouvi muitas vezes os instrutores e o mestre dizer – “quando vc usa uma arma, ela se torna extensão do seu corpo“…para que o movimento seja natural, ela precisa ser uma prolongação do nosso corpo, assim como era a bicicleta para Danny MacAskill.

É bem mais fácil pra mim por todo esse pensamento em palavras aqui no blog do que praticá-lo durante os treinos…mas acredito que a consciência das coisas é o primeiro passo para o aprendizado.

Agora…uma cena do belíssimo clássico “O Tigre e o Dragão” … Vale muito a pena ver o filme inteiro quem ainda não conhece…é de tocar o coração do começo ao fim…pelo roteiro, pela beleza do cenário, da interpretação dos atores, das frases e das lutas (pra quem gosta).

Esse ano foi feito um remake de Karate Kid, dessa vez era Kungfu, com Jaden Smith e Jackie Chan. O filme é pra crianças…mas é prato cheio pra quem gosta de artes marciais e pra ver paisagens da China. O legal é ver Dre Parker (Jaden Smith) descobrindo o Kungfu com a ajuda de Mr. Han (Jackie Chan).

Na super produção de James Camerom “Avatar“, também de 2010, os nativos de Pandora, Na’vi, tinham uma habilidade de conexão com a natureza, aí tanto animais quanto plantas, onde se fundiam e agiam como um só. O filme é legal pelos efeitos especiais (foi o primeiro que assisti em 3D) e pela mensagem de “salve o planeta”, ainda que a história seja bem batida…

Vou deixar outros dois vídeos …

Um comercial da Nokia com em homenagem ao Bruce Lee

E a apresentação de um artista marcial num campeonato de Kungfu

Por hoje é isso…Apenas a visão de uma iniciante no Kungfu, apaixonada pela arte e todas as suas conexões…

Quem tiver filmes pra indicar, por favor…comente!

Michelle Yeoh in "The Mummy: Tomb of the Dragon Emperor"

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