Archive | Dezembro, 2011

Sobre heróis

6 Dez

quando eu era pequena [ de idade, não no tamanho] costumávamos viajar muito, meu pai trabalhava no banco e mudávamos muito de cidade. sempre íamos visitar minha avó, era uma viagem, e uma aventura que eu amava.

meus irmãos eram pequenos, e quem ia no banco da frente do carro com o meu pai era eu.  aquilo fazia eu me sentir grande.

e era tanta coisa, tanta vida que passava e vivia naquele banco da frente tão amado…
desde incontáveis e intermináveis perguntas sobre tudo e com todos os porquês adjacentes. e ele respondia todas, inventava muitas delas, colocava mais cor na realidade… e ser feliz parecia natural e fácil demais.
meu pai era meu herói e o senhor de todo o conhecimento do mundo, eu achava que ele sabia do que eram todas as árvores do mundo e de que pássaro eram todo os cantos de passáros do mundo.

às vezes meu pai apagava todos os faróis só pra gente ver a infinidade de estrelas no céu, era a coisa mais linda do mundo… e a gente via até mesmo estrela cadente, e naquela época eu não tinha muito o que pedir –  tinha que fazer um desejo mas a verdade é que eu tinha tudo, não tinha o que pedir [ que meu pai e minha mãe vivessem pra sempre, talvez].

grande parte do tempo de viagem era de silêncio também, e era o silêncio menos solitário de todos que já vivi na minha vida. estar ali, no banco da frente, vendo a estrada e ouvindo as músicas do meu pai eram os momentos mais felizes que já passei na vida
a gente ouvia muita música que eu não entendia a letra, mas gostava,  na verdade o que eu gostava mesmo era de estar ali…

até hoje, pai, quando eu escuto essas músicas eu lembro do presente que o senhor me deu a cada minuto que passei naquele banco da frente.

 

 

um grande beijo pai! pq eu acho que herói é aquele que está de verdade ao nosso lado, são esses que valem a pena 😉

 

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