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Como escolher?

17 Dez

Esse post vai ficar  em Bibliotequices, mas ele se encaixaria em outros lugares também, pois vou falar das escolhas, melhor ainda, de como é complicado escolher quando se têm muitas opções.

A ideia veio de uma da palestra “Arquitetura da Escolha“, apresentada no 4ºEbai (Encontro Brasileiro de Arquitetura de Informação) que aconteceu em São Paulo em novembro passado, apresentada pelo Feliphe Lavor, um garoto pra lá de esperto e que sempre contribuiu para firmar o conhecimento nessa nossa tão nova área. (Até peço desculpas, Feliphe…porque eu vou viajar)

Vale a pena conferir essa apresentação e outras dele, vou dizer só o que ficou de tudo isso em mim e nos meus pensamentos, tanto pra coisa boba do dia até no meu modus operandi arquitetônio (inclusivewirefrâmico, enfim…).

Lá ele fala que o temos dois tipos diferentes de processar a informação, um Sistema Reflexivo que é movido pelo nosso lado racional e ou otro Sistema Automático que é o que está ligado o tempo todo e age de forma automática, se aproxima do que chamamos de “Intuição. (não concordei muito com os nomes dos sistemas, mas o conceito é bem interessante.)

Na hora de tomar decisões entram no jogo ainda outros fatores, chamados “desvios cognitivos”.

Os desvios do Sistem Reflexivo se referem, no meu ver, à cálculos mesmo que fazemos – a disponibilidade da coisa, a frequência que ela aconteceu, padrões que conhecemos e coisas parecidas com a qual fazemos paralelos ou aquela sensação de que vamos acabar ficando no prejuízo.  No caso do Sistema Automático, são nossas experiências, o contexto social, informação da ação coletiva, a sensação de estarmos sendo pressionados ou observados que interferem nas nossas escolhas.

A Arquitetura da Escolha, ou como guiar esse processo seria representada por 8 tipos de ações

  • Estímulos – dicas que podem levar a uma determinada escolha.
  • Mapeamento das opções – Disponibilizar as opções de forma que seja possível compará-las.
  • Opção Padrão – Economiza tempo  considerando a inércia natural da maioria das pessoas
  • Feedback – informando se foi ou não uma boa escolha
  • Prever erros – o exemplo que ele usou foi a cartela de pílula anticoncepcional que ja vem com os dias da semana
  • Afunilamento de opções – Esse eu achei muito interessante, quando se tem muitas opções, as escolhas podem ser feitas por estágios, o que facilita muito a tomada de decisão.
  • Recomendações – Também é um tipo de dicas, mas mais direta, informando sobre essas opções.
  • Reversibilidade – Essa é possível tecnologicamente falando, mas além de possível, considero imprescindivel, tem coisa pior que não poder “desfazer”?

Depois o Feliphe continua falando do case que ele levou ao EBAI, que era sobre escolha de planos de saúde.

O post ficou um pouco longo, mas vou falar agora o que disso tudo ficou fervilhando na minha cabeça.

Realmente, na hora de pensar a arquitetura de um site, o mínimo que podemos fazer é que as pessoas tenham consciência das opções que têm sobre determinado produto. Não é nada legal induzir uma decisão, ainda que isso seja feito e muito, particularmente, na minha formação como bibliotecária, acho um crime.

Bibliotecários as vezes pecam pelo excesso…queremos que as pessoasa saibam TUDO que foi escrito sobre aquele assunto, depois de um tempo você aprende a ler seu usuário e seu acervo de uma maneira que ofereça as opções que chegam mais perto daquilo que ele deseja, mas faz parte informá-los de que existem ainda outras possibilidades.

Mas voltando para internet, onde as informações são em volume vertiginoso, é preciso um cuidado maior com o tempo do seu usuário. A arquitetura da escolha é uma ótima saída, segmentar as opções saindo da categoria maior e afunilando para as menores é uma boa para melhorar a experiência da pessoa que está ali para fazer um pagamento, comprar uma panela, ou cadastrar um currículo.

Claro que tomar decisões vai muito além de emprestar um livro numa biblioteca ou de fazer seleções para montar sua casa perfeita na internet.

Clichêzinho agora…todos os dias temos que tomar decisões e todas as nossas escolhas mudam o que somos e tudo aquilo vivemos agora e viveremos um dia, e na vida não tem o botão “Desfazer” ou “Voltar”. Para tanto, é bom termos consciência que temos dois sistemas diferente agindo dentro de nós, e que muitas vezes podemos estar fazendo uma escolha no botão automático, seguindo padrões e escolhas de outras pessoas que já foram feitas milhões de vezes e nem nos damos conta.

Para que nossa vida seja diferente e seja realmente nossa, as nossas escolhas precisam ser assim também. Fica a dica pra parar pra pensar mesmo se estamos realmente fazendo uma escolha ou apenas selecionando uma opção.

——————post do post ———————————————————————————–

Segue um bom link : UXMyth #29: People are rational : muita coisa tem na apresentação do Lavor, traduzida, mas no final tem mais algumas referencias e questões bem legais para se pensar!

Bom, pra começar…

29 Jul

Essa semana andei pesquisando um pouco sobre Arquitetura da Informação…confesso que estou me sentindo como no começo da Faculdade…Um mundo de coisas pra aprender…É uma delícia, mas eu fico me perguntando como sobrevivi esse tempo todo sem saber essas coisas, como que vou fazer pra colocar tudo isso na minha cabeça (aiii um chip como o de Matrix, seria perfect..) etc etc etc … Enfim…a tal ansiedade…

E como eu mesmo me cobro e também me justifico…pensei que nao sou obrigada a saber de tudo mesmo, eu estou me formando em Biblio sim e daí, quem falou que eu ia sair sabendo todo o conteúdo…eu posso dizer que sei CDU, conheço bem livros de direito, varias bases de informacao juridica…agora é correr atrás…

Nos blogs da área, encontrei essa entrevista do Umberto Eco que achei muito interessante…

Eh Isso!!

Velocidade da web causará perda de memória, diz Umberto Eco

Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 12/05/2008

Em entrevista publicada no jornal espanhol “El Pais” e reproduzida pelo caderno Mais! deste domingo, o romancista Umberto Eco fala sobre a velocidade da internet e como ela afeta a troca de informação.
Antes de se consagrar como romancista, Eco já era considerado um importante semiótico, autor de obras marcantes como “Apocalípticos e Integrados” e “Super-Homem de Massa” (sobre a cultura de massa, analisando romances de folhetim e quadrinhos), “Como Se Faz uma Tese” e “Obra Aberta” (Perspectiva).
Na ficção, além de “O Nome da Rosa” (Best Seller), publicou “O Pêndulo de Foucault”, “A Ilha do Dia Anterior”, “Baudolino” e “A Misteriosa Chama da Rainha Loana” (Record). Sobre tradução, saiu no Brasil em 2007 “Quase a Mesma Coisa” (também pela Record).

Confira trechos da entrevista abaixo. A íntegra, disponível apenas para assintantes UOL ou Folha, pode ser lida aqui.
* PERGUNTA – Existe alguma saída para esse mal-estar universal?

ECO – No momento, não. E, se eu tivesse a receita, a venderia ao presidente dos EUA por alguns bilhões de dólares!

PERGUNTA – Com certeza. E quem será ele?

ECO – E que sei eu? Os escritores não somos Nostradamus.

PERGUNTA – O que é certo é que alguns anos atrás o sr. disse que viveríamos de modo rapidíssimo, e agora vivemos em velocidades supersônicas.

ECO – E tudo o que existe agora será obsoleto dentro de pouco tempo. Até o e-mail será obsoleto, porque tudo será feito com o celular.
Talvez as novas gerações se acostumem a isso, mas existe uma velocidade do processo que é de tal calibre que a psicologia humana talvez não consiga adaptar-se. Estamos em velocidade tão grande que não existe nenhuma bibliografia científica americana que cite livros de mais de cinco anos atrás.
O que foi escrito antes já não conta, e isso é uma perda também quanto à relação com o passado.

PERGUNTA – A fé cega na internet, por outro lado, cria monstros.

ECO – Sim, parece que tudo é certo, que você dispõe de toda a informação, mas não sabe qual é confiável e qual é equivocada. Essa velocidade vai provocar a perda de memória.
E isso já acontece com as gerações jovens, que já não recordam nem quem foram Franco ou Mussolini! A abundância de informações sobre o presente não lhe permite refletir sobre o passado. Quando eu era criança, chegavam à livraria talvez três livros novos por mês; hoje chegam mil. E você já não sabe que livro importante foi publicado há seis meses. Isso também é uma perda de memória. A abundância de informações sobre o presente é uma perda, e não um ganho.

PERGUNTA – A memória é o esquecimento, como diria [o escritor uruguaio] Mario Benedetti.

ECO – É a história de “Funes, o Memorioso”, de Borges: aquele que tem toda a memória é um estúpido.

PERGUNTA – Tanta informação faz com que os jornais pareçam irrelevantes.

ECO – Esse é um de nossos problemas contemporâneos. A abundância de informação irrelevante, a dificuldade em selecioná-la e a perda de memória do passado -e não digo nem sequer da memória histórica. A memória é nossa identidade, nossa alma. Se você perde a memória hoje, já não existe alma; você é um animal.
Se você bate a cabeça em algum lugar e perde a memória, converte-se num vegetal. Se a memória é a alma, diminuir muito a memória é diminuir muito a alma.

PERGUNTA – Qual seria hoje o papel da informação?

ECO – Creio que perdemos muito tempo nos formulando essas perguntas, enquanto as gerações mais jovens simplesmente deixaram de ler jornais e se comunicam por meio de mensagens de texto. Eu não posso me desligar dos jornais. Para mim, sua leitura é a oração matinal do homem moderno. Não posso tomar o café da manhã se não tiver pelo menos dois jornais para ler.

Mas talvez sejamos os resquícios de uma civilização, porque os jornais têm muitas páginas, mas não muita informação. Sobre o mesmo tema há quatro artigos que talvez digam a mesma coisa… Existe abundância de informação, mas também abundância da mesma informação.

Não sei se você se lembra de minha teoria sobre o “Fiji Journal”. Eu estava em Fiji coletando informações sobre os corais para meu livro “A Ilha do Dia Anterior” [ed. Record], e em meu hotel chegava todas as manhãs o “Fiji Journal”, que tinha oito páginas -seis de anúncios, uma de notícias locais e outra de notícias internacionais.

No mês que passei ali, a primeira Guerra do Golfo estava prestes a estourar, e, na Itália, o primeiro governo de Berlusconi tinha caído. Inteirei-me de tudo porque em uma única página de notícias internacionais, em três ou quatro linhas, davam-me as notícias mais importantes.

PERGUNTA – Como a internet.

ECO – Vamos à internet para tomar conhecimento das notícias mais importantes. A informação dos jornais será cada vez mais irrelevante, mais diversão que informação. Já não nos dizem o que decidiu o governo francês, mas nos dão quatro páginas de fofocas sobre Carla Bruni e Sarkozy [atual presidente da França]. Os jornais se parecem cada vez mais com as revistas que havia para ler na barbearia ou na sala de espera do dentista.

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