Tag Archives: vazio

O Menino que Carregava Água na Peneira

15 Mar
Imagem
 
Gente, hoje recebi uma notícia boa, mas assim como a supertição de grávida – só compartilho com o “mundo” quando rolar de verdade.
 
Recebi essa poesia de uma tia (jovem) que mora longe, era de ontem, dia da poesia.
 
Mas é tudo que faz meu coração vibrar: poesia, vazio, palavras
 
O Menino que Carregava Água na Peneira
Manuel de Barros
 
Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

 

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

 

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

 

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

 

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

 

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

 

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

 

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

 

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

 

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

 

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

 

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!
……………………………………………………………..
Anúncios

A manteiga do cacau ou “do the evolution”

19 Maio


Esse post é para registrar várias coisas que tenho pensado nos últimos tempos, é um post doidinho, meio bagunçado, meio misturando coisas, é para mim, para que eu possa organizar meus sentimentos em palavras e guardar ele por aqui…

Algumas vezes, quando o cansaço físico se junta ao mental, costumo sentir meu espírito se encolher…como se ele não concordasse com o ritmo e rumo que dou pra minha própria vida…

Costumo pensar em meus solitários olhares pelas janelas –  janela do ônibus em meus trajetos (casa.sp-trabalho-kungfu-casa.avare), janelas do meu apartamento – se o que tenho vivido da minha vida é realmente o que eu quero pro resto da dela…porque na verdade esse resto já começou faz um tempo, acontece agora, e existirá ainda por um tempo (talvez curto demais).

Aos meus 16 anos eu queria era fazer alguma coisa para mudar o rumo das coisas na Terra, sério, eu queria ao menos contribuir. Me cortava o coração estudar sobre como a Mata Atlântica havia sumido do mapa e qual era o destino inevitável de todas as matas do mundo. Naquela época eu queria fazer faculdade de Ecologia.

Fiz vários testes vocacionais  (era moda aquela época, ou talvez seja sempre pra quem tem 16 anos). Lembro que eles costumavam dizer que eu tinha que ser jornalista, na verdade os resultados eram genéricos…para uma menina que gostava de ler e não gostava de números, não lhe cabia muitas opções. Em um desses testes, o exercício era pegar várias revistas e trazer as coisas que mais chamassem atenção, uma das coisas que levei foi uma foto linda de uma arara.

Até procurei a foto exata, mas não achei..era uma arara vermelha clicada no exato momento que estava sendo picada por um mosquito da malária. Acabei sendo convencida de que o que me interessava era o ato de registrar uma foto daquelas e não o desenvolvimento de uma doença numa ave silvestre. Os argumentos lógicos me convenceram, embora meu coração sempre ficasse apertado por me ver incapaz de fazer algo útil por aquelas aves…

Não me tornei ecologista, nem jornalista. Sou bibliotecária e hoje trabalho onde precisa-se de trabalho, teria sido assim, não importa qual faculdade eu tivesse feito. Eu gosto do que faço, não é essa a questão, só me sinto às vezes engolida pelo sistema. Completamente integrada ao emaranhado da realidade contemporânea…perfeitamente encaixada. Um encaixe tão perfeito que chega a incomodar.

Conversando com uma amiga esses dias ela achou o máximo quando eu disse “Se eu não trabalhasse, precisaria de menos dinheiro do que preciso”, uma conclusão óbvia, é preciso muito dinheiro  para se manter trabalhando…. ter, vestir-se, comer, estudar, morar, locomover-se, necessidade que seriam diferentes, se não trabalhássemos.

Passei pra ela um vídeo que assisti esses dias “A história das coisas”. Achei ótimo. Exatamente a inquietação que sinto ao consumir, por exemplo, uma MANTEIGA DE CACAU… Quantas coisas, pessoas, processos e produtos para que eu possa usar uma manteiga de cacau, um batom diferente pra proteger do frio…já perdi conta de quantas manteigas de cacau já tive na vida…o que acontece com todas essas embalagens? Esse cacau que usei fez falta em algum lugar?

Esse post pode parecer sem nexo…são apenas meus sentimentos de desencaixe do mundo e da maneira como ele funciona. Faço parte do sistema, contribuo para que ele continue sendo como é. Mesmo assim, desejo fazer o mínimo para que as coisas sejam diferentes, ou ao menos deixar que meu espírito expresse sua insatisfação com o mundo, as coisas e as pessoas (inclusive eu mesma).

Um outro vídeo que me chamou a atenção foi este “Children see, children do“, genial. Qualquer ser humano, de qualquer parte do planeta pode ver e entender.

Será que vivemos de acordo com o que queremos? Será que nossas ações condizem com que acreditamos? Eu tenho minhas dúvidas à respeito, as vezes me sinto fora do lugar…

Não…eu não quero comprar outro óculos de sol, só porque o meu é do ano retrasado, não quero definitivamente passar por cima dos meus princípios e da minha saúde para ganhar mais dinheiro. Não quero conviver com gente de energia ruim…e sempre que tiver opções, tentarei viver de acordo com isso.

A imagem do começo do post é do clipe da música Do the evolution, do Pearl Jam

——————–

Por último…um vídeo de uma professora justificando uma greve, lá no Rio Grande do Norte. O que tem isso tem a ver com você?

————–

Atualização[Fev.2012]:

Tive conhecimento de uma teoria altamente conspiratória, mas ao mesmo tempo bem lógica se pararmos para pensar, a “Obsolescência programada” ou a de que tudo que é produzido já é produzido com data para acabar.

Além de sermos influenciados pela moda e pela mídia para que continuemos sempre comprando, talvez seja até mesmo uma feature do produto ser algo com fim determinado.

Para mais detalhes http://blogs.estadao.com.br/link/programado-para-morrer-2/

Liberdade ou Amor?

29 Nov

Na verdade este post é mais sobre liberdade  e companhia, mas como falarei da companhia amorosa, escolhi este título.

Estou sempre às voltas com esses pensamentos…é melhor ter alguém ou é melhor ser totalmente livre? É uma coisa que todas as pessoas se perguntam e eu sempre falo  – as duas coisas tem lado bom e lado ruim, e eu, sinceramente não tenho opinião formada sobre qual é melhor.

Este fim de semana assisti – finalmente o famigerado – Comer, Rezar e Amar….que tinha também essa temátiva. Por várias vezes me identifiquei com a personagem e sua busca. O filme vale muito a pena, uma das lições que eu já tinha tomado e agora retomei é a de se permitir. Não se culpar por sofrer, por ter saudade,  por odiar, por amar…

Quando você sufoca o sentimento ou o pensamento ele não te deixa, fica ali, só esperando um momento de fragilidade para te levar ao desespero. Quando você aceita seus sentimentos perante as coisas, fatos e pessoas, é possível que você os resolva dentro de si…e aos poucos eles vão se transformando, e de repente você não sofre mais com aquilo.

Tem uma frase do Fernando Pessoa, meu poeta favorito que gostaria de compartilhar

“A Liberdade é a possibilidade do isolamento.

Se te é impossível viver só, nascente escravo.”

(Fernando Pessoa)

Por sorte, por destino, por coincidência, ou mesmo por vontade, não vivo só. Não tenho uma vida de contos de fada, mas me faz muito sentido ela ser assim.

Dizem também que não podemos por nossa felicidade na mão de outra pessoa e também que não podemos precisar de outra pessoas para nos completar. Eu ainda não vivo isso…e confesso, acho maravilhoso ter alguém que complete meus dias e  a minha vida.

Tenho ainda uma frase do Chico Buarque, gênio; e uma música da Norah Jones, diva; que me remeteram aos pensamentos que hoje compartilho aqui.

“I wouldnt need you” – Norah Jones

“Morre de amor quem é capaz”

(Chico Buarque)

 

Deixo aqui também o trailer do filme Comer, Rezar e Amar

….

mi amore

mi amore

(como sempre digo pra ele….até os pássaros, que podem voar tão longe, precisam de companhia, é para isso que fomos feitos…é da nossa natureza)

Bruce Lee

13 Set

Esse é meu primeiro post sobre um cara mais que interessante

“Tenha ‘Nenhum Caminho’
como caminho.

e ‘Nenhuma Limitação’
como limitação.”

(Bruce Lee)

Bruce lee pra mim era só mais um nome até pouco tempo atrás. Não tenho vergonha da minha ignorância…ela nunca vai sair de perto de mim…me acompanha em qualquer momento e lugar, e foi exatamente com o BRUCE LEE que descobri que ela não é nociva. (“Os que não sabem que caminham na escuridão, jamais verão a luz.”

Depois que comecei o kungfu, me interessei também pela cultura oriental e conhecimento dos ninjas artistas marciais, até que peguei na biblioteca o livro “Aforismos”*.

A ansiedade é tão grave em mim que escrevendo esse post eu nem sabia direito em qual parágrafo me concentrar, estou sem o livro e sem as anotações – é tudo da minha cabeça – vou pro google e (…) mas no livro ele fala que a ansiedade vem porque não vivemos o presente, se o vivermos não há motivo para ansiedade…o tempo para ação é o presente, isento de ansiedade.

Eu tenho a foto dessa frase a um tempo, a vi navegando por ae…salvei e pronto…nem sabia de quem era.

“Quando o dedo aponta para a lua, não se concentre no dedo, ou você vai perder toda a glória celestial.”

Em “Aforismos” eu vi novamente a frase e a explicação dela…é uma máxima sobre a concentração. Tenho problemas sérios com concentração, desde pequena, ficava viajando na sala de aula, ganhava e perdia muita coisa com isso…mas acho que o prejuízo é no fim das contas sempre maior…

No meu primeiro campeonato de kungfu eu vi o quanto isso me prejudicava…o quanto mal eu fui, mesmo tendo treinado, Bruce (e muita gente) diz que aprendemos mais com os erros…e talvez um dia eu veja assim meu fracasso daquele dia…

Esse é um daqueles poucos que abrem a mente, estendem os horizontes…o primeiro conceito que me chamou atenção foi do “vazio“… é no vazio que as coisas acontecem, que é possível criar. Todo o potencial da criatividade reside no vazio…uma folha em branco deixou de ser sacrifício, ganhou outra forma e significado…Conversando com um instrutor e mestre meu de kungfu certo dia sobre isso…ele falou – “mas é mesmo…olhe aqueles alunos treinando, o que eles usam é o vazio, o espaço vazio na sala”…sim o vazio, o nada é o único lugar onde podemos aprender.

“Empty your mind, be formless, shapeless, like water. Now you put water into a cup, it becomes the cup. You put water into a bottle it becomes the bottle. You put it into a teapot it becomes the teapot. Now, water can flow, or it can crash. Be water, my friend…”
(Bruce Lee)

Eis que mesmo antes de acabar o livro a ansiedade tamanho do mundo toma novamente conta de mim, tanto que protelei ao máximo a devolução do mesmo na Mário e já estava quase comprando um só pra mim pela internet, mas na porta da biblioteca, minutos antes de devolver meu tesouro recém-encontrado…fui lendo umas últimas frases e eis que Bruce diz mais uma vez que não devemos nos prender à nada…“depois de usar uma barca para atravessar o rio, não tente carregá-la nas costas, siga em frente”.

Eu mudei o nome do blog – intuição criativa – e tirei isso do livro também…do chamado “Wu wei”, da força natural, mas isso já é assunto que merece post exclusivo! Gostei muito desse texto  A Arte da Arte Marcial e os Sentimentos Corporais do blog da tskf que fala exatamente sobre.

* LEE, Bruce. Aforismos. John Little (Org.). Conrad: São Paulo, 2007.

tesourinho que pode ser encontrado pra comprar pela net mas também está lá na Biblioteca Mário Andrade, no Anhangabaú, centro de São Paulo.

——————————————————————————————————————————————————————

Post do Post (atualizado 15.10.10)

Estou mantendo um tumblr só com fotos e frases do Bruce Lee…quem quiser segue lá.

http://bruceleefacts.tumblr.com/

——————————————————————————————————————————————————————

(atualizado 17.12.10)

Gente, criei um Twitter -> http://twitter.com/#!/bruceleebr

%d bloggers like this: